Djalma Argollo

Djalma Argollo
Terapeuta Junguiano

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A história do rato Saltador (continuação)

- Isto é maravilhoso, disse Rato Saltador. – Você também pode ver o rio e as Grandes Montanhas?
- Sim e não. – o velho rato falou com convicção - Sei que existe o Grande Rio, mas temo que as Grandes Montanhas sejam apenas um mito. Esqueça seu desejo de vê-las e fique aqui comigo. Aqui temos tudo que você quiser e é um bom lugar para viver.
"Como ele pode dizer uma coisa dessas?", pensou Rato Saltador. "A feitiçaria das Montanhas Sagradas não pode ser esquecida.”
- Muito obrigado pela refeição que você compartilhou comigo, velho rato, e também por oferecer-me seu grande lar – disse Rato Saltador –, mas devo buscar as Montanhas Sagradas.
- Você é um rato tolo por sair daqui. Há perigo na pradaria! Veja todos aqueles pontos! São águias, e elas vão pegá-lo!
Foi difícil para Rato Saltador partir, mas ele reuniu sua determinação e voltou a correr. O terreno era acidentado... ele podia sentir as sombras dos pontos às suas costas enquanto corria. Todos aqueles pontos!
Ele estava investigando seu novo ambiente quando ouviu uma respiração muito pesada. Rapidamente Investigou o som e descobriu sua origem. Era um grande tufo de pelos com chifres pretos. Era um grande búfalo. Rato Saltador mal podia acreditar na grandiosidade do ser que viu deitado à sua frente. Era tão grande que Rato Saltador poderia entrar em um de seus grandes chifres. "Que ser um magnífico", pensou Rato Saltador, e aproximou-se mais.
- Olá, meu irmão – disse o búfalo. – Obrigado por visitar-me.
- Olá, Grande Ser. Por que você está deitado aqui?
- Estou doente e estou morrendo – disse o búfalo. – E o rio feiticeiro me disse que apenas o olho de um rato pode curar-me. Mas, irmãozinho, não existe um rato.
Rato Saltador ficou chocado. "Um de meus olhos!", ele pensou, "um dos meus minúsculos olhos." Voltou correndo para o canteiro de cerejeiras. Mas a respiração era cada vez mais difícil e lenta.
“Ele vai morrer”, pensou Rato Saltador. “Se eu não lhe der meu olho. Ele é um ser grandioso demais para que o ‘deixem morrer’.”
Voltou ao lugar onde o búfalo estava deitado.
- Eu sou um rato – disse a voz trêmula. – E você meu irmão, é um Grande Ser. Não posso deixá-lo morrer. Tenho dois olhos, você pode ficar com um deles.
Tão logo disse essa palavras, o olho de Rato Saltador saiu de sua cabeça e o búfalo ficou bom. O búfalo pôs-se de pé de um salto, sacudindo todo o universo do Rato Saltador. (Continua)

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