Djalma Argollo

Djalma Argollo
Terapeuta Junguiano

terça-feira, 1 de abril de 2014

O papel das crenças

Um coisa interessante com as crenças é que, devido ao fato de se encontrarem em um nível distinto do das condutas e das aptidões, não mudam de acordo com as mesmas normas delas. 
Um exemplo é a clássica anedota que descreve as anormalidades psicológicas de um homem que está convencido de que era um cadáver. Por isso não come nem vai ao trabalho. Vive sentado, repetindo que é um cadáver.
O psiquiatra tenta convencê-lo de que não está morto. Depois de discutir algum tempo com o paciente, o psiquiatra lhe pergunta: 
- Os cadáveres sangram?
Após pensar por algum tempo, o paciente responde:
- Claro que não! Num cadáver todas as funções corporais estão interrompidas, por isso não pode sangrar.
Então o psiquiatra acrescenta:
- Vamos, então, fazer uma experiência. Vou pegar uma agulha e espetar seu dedo, para ver se sangra.
Como o paciente acredita ser um cadáver, nada pode fazer para evitar a picada no dedo. Dessa forma, quando o psiquiatra lhe pica o dedo, o sangue brota de imediato. O homem, então, olha a pequena gota de sangue, e exclama, surpreso"
- Mardição, isto significa que agora os cadáveres também sangram!
Isto quer dizer que, quando temos uma crença, nenhuma evidência ambiental ou de conduta a mudará, pois as crenças não se baseiam na realidade. Temos uma crença em lugar de termos uma conhecimento da realidade. As crenças tratam de coisas que ninguém pode saber realmente. Se alguém tem uma enfermidade terminal não sabe se vai se recuperar ou não. E, precisamente porque ninguém sabe o que realmente vai acontecer, tem de acreditar que vai se recuperar...
Ainda que o caso do paciente que acreditava ser um cadáver seja um relato humorístico, eu conheci casos bastante assemelhados. Algumas pessoas com enfermidades terminais como AIDS ou câncer, por exemplo, afirmam que estão mortos, que já são  cadáveres. Não lhes resta fazer mais nada. Vão morrer de qualquer modo, acreditam. O que poderá mudar, se fizerem algo? E, mesmo quando diante de evidências claras de melhora, contestam que se trata "apenas" de uma remissão e que, em realidade, não estão melhorando. Não querem enganar a si mesmas; a única  coisa que aceitam é que vão morrer. Toda conversa com pessoas desse tipo nos conduzirá ao mesmo resultado da anedota do psiquiatra (Robert Dilts, Como cambiar creencias con PNL. Tradução minha).

Um comentário:

  1. As crenças são , de fato, aprendidas. Portanto, mutáveis qdo abrimos mão das certezas.
    Toda e qualquer crença pode ser configurada como um mapa. Notório saber e verificar que "mapa não é território."
    Djalma, vc disse_ "conversa" - o que é plenamente compreensível.
    Atualmente, temos a nossa disposição, ferramentas em programação neurolinguística que pode realizar um belo processo de reprogramação da mente.E como afirma o seu precursor, Anthony Robbins - "Não conheço fato mais encorajador que a inquestionável capacidade do homem para elevar sua vida através de um esforço consciente." (Henry David Thoreau).
    Urge desenvolver e exercitar o poder de tomar decisões.

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