Djalma Argollo

Djalma Argollo
Terapeuta Junguiano

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Excerto Junguiano


..o inconsciente em si já pode representar um perigo. Uma das formas mais comuns desse perigo é provocar acidentes. Acidentes de todo tipo - em número bem maior do que o público possa imaginar - são causados por fatores de ordem psíquica. A começar por pequenos acidentes, como tropeçar, esbarrar, queimar os dedos, etc. até os acidentes automobilísticos e catástrofes alpinistas: tudo pode ter origem psíquica e, às vezes, já está programado semanas ou até meses antes. Examinei grande número de casos dessa ordem, e pude comprovar que muitas vezes, semanas antes, os sonhos já revelaram uma tendência autodestrutiva. Todos os acidentes provocados por descuido, como se diz, deveriam ser investigados, sob este enfoque. Sabemos muito bem que não só tolices de maior ou menor importância podem suceder-nos quando, por qualquer motivo, não estamos bem, mas também estamos expostos a perigos que, em dados momentos psicológicos, podem até comprometer a vida. O ditado popular: "Fulano ou sicrano morreu na hora certa", exprime uma certeza intuitiva quanto à causalidade psicológica secreta do caso. Da mesma forma, podem ser provocadas ou prolongadas as doenças físicas. Um funcionamento inadequado da psique pode causar tremendos prejuízos ao corpo, da mesma forma que, inversamente, um sofrimento corporal consegue afetar a alma, pois alma e corpo não são separados, mas animados por uma mesma vida. Assim sendo, é rara a doença do corpo, ainda que não seja de origem psíquica, que não tenha implicações na alma (JUNG, O. C., vol. VII, par. 194).



quinta-feira, 4 de abril de 2013

Alguns apontamentos sobre o estresse e sua profilaxia


Estresse, ou stress, tem dois aspectos pelos quais pode ser analisado: I - a soma de respostas físicas e mentais causadas por estressores que são estímulos externos, os quais permitem ao indivíduo superar exigências do meio ambiente e  II - o desgaste físico e mental causado pelo esforço despendido no processo.
Na Física, o termo estresse designa a tensão e o desgaste apresentados pelos materiais em  experiências ou no uso. Foi aplicado pela primeira vez aos seres vivos em 1936 pelo médico Hans Selye em artigo na revista científica Nature.
O estresse nasce da mudança brusca no estilo de vida e a exposição a um determinado meio, o qual provoca angústia. Quando os sintomas do estresse persistem por  tempo prolongado, podem ocorrer sentimentos de evasão, provocados por ansiedade e depressão. Em tais condições, os mecanismos de defesa não funcionam eficazmente, possibilitando a ocorrência de doenças, especialmente cardiovasculares.
Pessoas com o ego não devidamente estruturado têm mais dificuldade de evitar o estresse ou combatê-lo. Uma forma de evitar ou diminuir o estresse é a derivação da mente, nas situações estressantes, para lembranças de momentos felizes, e a programação imaginativa de situações semelhantes, ou a elaboração mental de atitudes que resolverão o que está sendo o motivo do estresse. Enfim, deve-se procurar desligar da ansiedade causada pelo momento estressante. 
O pensamento positivo, a imaginação ativa, enfim, a fantasia sobre situações agradáveis e compensadoras, enquanto o processo estressante está em curso, minimiza o impacto dele em nosso psiquismo. Uma situação que não tem jeito, como um engarrafamento, em vez da pessoa ficar reforçando a preocupação com o atraso, com o que vai acontecer, deve pensar: "Como não posso fazer nada, vou aproveitar e pensar na programação de minhas férias", por exemplo, ou evocar um momento que foi muito agradável. Enfim, aproveitar para fantasiar coisas que tragam alegria e bem estar.
A hiigiene mental, os exercícios físicos, freqüência a ambientes culturais como teatro, palestras, círculos de meditação e/ou oração, ver filmes, "jogar conversa fora" com amigos de forma regular, são medidas que evitam a instalação do estresse e sua coorte de consequências prejudiciais à saúde física e mental. O que deve ser evitado é o se querer aliviar a tensão "tomando uma bebida para relaxar" ou usar outra droga com o mesmo objetivo. Isto pode causar dependências extremamente prejudiciais de todos os pontos de vista. 
Nas situações de estresse agudo, duas atitudes devem ser tomadas: a consulta com um terapeuta, ou psicólogo, o qual tem a necessária capacitação para dar as orientações corretas sobre o como lidar com o problemas, como também recomendar a consulta ao psiquiátra nos casos em que se faça necessário o uso de medicação devida.