Djalma Argollo

Djalma Argollo
Terapeuta Junguiano

terça-feira, 5 de março de 2013

SONHOS: A Essência orientado a Existência


O sonho é um evento diário que sempre intrigou os seres humanos. Nele acontecem as coisas mais fantásticas: o indivíduo pode voar, tem a capacidade de estar em vários lugares ao mesmo tempo, desloca-se entre regiões distintas sem movimento, conversa com parentes e amigos mortos, sem espanto ou medo. Panoramas e situações sofrem solução de continuidade sem aviso, e sem aparente relação entre si. Isto sem falar daqueles que apresentam fatos mediúnicos ou paranormais, dos quais a história de todos os povos guarda os mais variados exemplos.
Apesar de a interpretação onírica ser uma atividade que remonta, provavelmente, aos tempos pré-históricos, somente no final do século XIX, exatamente no ano 1900, Sigmund Freud (1856-1939) lançou sua mais importante obra: A Interpretação dos Sonhos. Pela primeira vez o sonho era objeto de estudo científico. O sonho foi apresentado como produto de uma instância psíquica: o inconsciente, com significado específico, e importante, que permite entender e solucionar problemas psíquicos e existenciais do sonhador.
Limitado pela rigidez de sua teoria, Freud foi ultrapassado por Carl Gustav Jung (1875-1961), que abordou o sonho como um objeto em si, e não como o resultado de uma manipulação maquiavélica de uma “censura”, capaz de todas as artimanhas e truques, para evitar a interrupção do sono. Seus estudos o levaram a retificar a teoria psicanalítica que fazia do inconsciente produto das atividades do consciente, um verdadeiro quarto de despejos de tudo o que sobrava ou era rejeitado por este; provou que, ao contrário, o inconsciente é anterior ao consciente, tanto na existência individual, quanto na evolução do próprio gênero humano. E que existe, ainda, um conjunto de conteúdos comuns a todos os seres humanos, como possibilidades de pensar, ao qual deu o nome de inconsciente coletivo. Neste conjunto, apontou a existência dos arquétipos, imagem dos instintos que, nos sonhos, como nas visões, são representados como figuras mitológicas e sobrenaturais, simbolizando transformações em curso no psiquismo, ou necessidade de adequação da conduta consciente a um padrão diferente do que lhe é corriqueiro. Por causa dessas e outras formulações, o estudo dos sonhos ganhou uma dimensão mais rica, por demonstrar que o inconsciente os utiliza como meio de se comunicar com o ego, de forma compensatória, facultando ao indivíduo possibilidades de retificações necessárias do comportamento, proporcionando uma condição mais adequada e produtiva de vier. Por causa dessa função dos sonhos, foi que denominei este livro: Sonhos, a essência corrigindo a existência (Djalma Argollo, Sonhos: a essência orientando a existência, AMAR - Livraria, Editora e Distribuidora: Salvador - BA, 2012, p. 9)

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