Djalma Argollo

Djalma Argollo
Terapeuta Junguiano

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Reflexões

Existem, grosso modo, duas espécies de insônia: a que é causada por preocupações obsidentes, e a que é espontânea. Neste último caso não há o que angustiar. Em vez de entrar em estresse porque o sono não vem, aproveite o momento para pensar coisas que lhe alegrem a alma: sonhe acordado, criando fantasias de sucesso, de desenvolvimento pessoal, de aprimoramento moral, espiritual e intelectual, e assim sucessivamente. Já no primeiro caso, existe um esforço a ser feito: o de verificar consigo mesmo se o que lhe preocupa tem solução; se tem, deixe de se preocupar; se não tem, deixe o problema de lado, passando a se imaginar nunca mais criando, ou deixando criar, situação semelhante em sua vida; não perca tempo com o arrependimento, se perguntando por quê fez, não fez ou que não deveria ter feito o que motivou sua tribulação atual; isto é pura perda de tempo. Não se muda o passado, mas se pode construir um futuro melhor, a partir das escolhas feitas agora. Ninguém vive no ontem, nem no amanhã, mas no agora. O passado é importante como lição, mas nunca como preocupação. O futuro se constrói no agora. Ele será o resultado das escolhas que se faz, diante do que se está vivendo. Assim, transforme sua insônia num momento de "imaginação ativa". Sonhe acordado, um sonho bom. E nele viva a fantasia de tudo de bom para você, de hoje em diante.

XXXXX

Você está sofrendo, e chora a sua dor! Está certo, deixe que as lágrimas escorram e os soluços explodam no seu peito. Você merece esse momento de catarse emocional. Todavia, quando a tempestade das emoções amainar, não se deixe prender nas teias da vitimização. Sentir-se vítima é um vício que paralisa a alma e destrói toda possibilidade de superação do estado de sofrimento.  Todo e qualquer sofrimento, além do seu "por quê?", tem um "para que?". Ou seja, toda dor implica na necessidade de se aprender algo. É uma lição dura que a vida impõe. E não adianta se ficar na monoideia do: "Por que comigo?". Está pergunta comportaria uma resposta do tipo: "Já aconteceu com outros, por quê não aconteceria com você?". E isso nada resolveria. Diante da dor se deve ter um questionamento proativo: "O que tenho de aprender com isso?". 
É claro que não estou sugerindo uma consolação, pois os sofrimentos são inconsoláveis. Estou indicando um modo pragmático de se enfrentar o sofrimento. Uma forma de se usá-lo para desenvolvimento pessoal. 
Toda dor é convite à mudança. Pois a dor é um mero sintoma, não o mal em si. A dor não resgata, não expunge o erro nem serve de expiação do que se cometeu indevidamente. A dor sinaliza que algo em nossa vida precisa mudar. Apenas isso. Agora, tenha cuidado com o sofrimento, pois ele pode ser patologicamente viciante. Ele atrai a atenção e o cuidado de outros, para nós: a piedade espontânea com as vítimas. E aí podemos nos tornar manipuladores cínicos e desonestos. Isto quando não os tornamos vítimas de nossa vingança contra a vida, destruindo-lhes a possibilidade de uma existência alegre e feliz. 

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