Djalma Argollo

Djalma Argollo
Terapeuta Junguiano

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Passado? Ora, o passado já passou!


O passado não é uma entidade física; em outras palavras, ele não é uma entidade real. O passado existe apenas como consequência. Senão, vejamos: se eu deixei de cumprir uma tarefa importante, hoje, amanhã ao ser cobrado por ela, terei de confessar que não a fiz, e arcar com as consequências do não ter realizado a minha obrigação. Mas o passado em si, isto é, o momento em que eu devia ter feito a tarefa nem existe nem nunca voltará a existir. Caso eu consiga uma nova oportunidade, ou seja obrigado a realizar o que não fiz, será um novo momento, uma nova situação, uma nova realidade. O momento em que a tarefa deveria ter sido feita, perdeu-se para sempre, e nunca retornará fisicamente, apenas poderá ser evocado como lembrança. Caso tenha sido registrado em vídeo, o momento, poderá ser repetido, como na evocação da memória, vezes sem conta, mas sem qualquer resultado prático que não o da lamentação da oportunidade esperdiçada. E lamentar a oportunidade perdida adiantará alguma coisa? Claro que não! Duas coisas situações como a que aventei requerem: a) que se arque com as consequências da irresponsabilidade, pagando o preço requerido pela falta e, b) tomar-se uma atitude: nunca mais deixar de fazer aquilo pelo que se responsabilizou ou que se é responsável.
O que se fez ou se deixou de fazer não tem retorno. Ninguém pode apagar o passado. Ele está fora do alcance, para sempre. Somente se pode fazer, ou não fazer, em oportunidade semelhante, o que foi ou não, realizado. Mas nunca será a mesma coisa. Pode até parecer que é, mas realmente é uma nova atitude, uma nova realização. Naturalmente ela estará pautada pela experiência que se adquiriu com a ação, ou não ação, realizada.
Em nossa vida, devemos ter o passado como repositório de lições aprendidas, de experiências adquiridas, para usar quando a vida nos colocar em situações assemelhadas. Mas sempre lembrando que todo e qualquer conhecimento, como toda e qualquer experiência, devem ser aplicados de forma atualizada, qual seja, adequado ao momento presente, pois no passado o que se fez ou não fez acorreu dentro de uma realidade específica, com suas peculiaridades do momento. No presente, existe uma nova configuração de circunstâncias que deve ser levada em conta.
Mas, um ponto é essencial: nunca se deve lamenta o passado. Isto é perder tempo. Nem deve-se usá-lo como um fator de arrependimento, ou de manutenção de um estado psíquico de culpa. Nada se ganha com isso, ao contrário, se perde tempo e possibilidade de realizar, ou não, no agora que passa célere.
Busquemos retirar de nossos raciocínios e discursos, expressões como: “Eu (ou você) não deveria ter feito isso!”; ora, se uma coisa foi feita, como não deveria tê-lo sido? A reclamação não tem o menor sentido, a não ser o de impor culpa ou humilhar, mas nada. Nem pedagogicamente é positiva. Dever-se-ia, sim, pontuar o que foi realizado, ou não, de uma maneira propositiva: “De agora em diante não faça da mesma forma, mas dessa outra”! Aqui existem uma forma educativa e transformadora. O passado servindo para melhorar o presente ou o futuro, em circunstâncias parecidas.
Pode-se inquirir por quê alguém, ou nós próprios, fizemos ou não algo, objetivando a conscientização dos motivos da ação ou não ação, realizada. E, dessa forma, orientar melhor, ensinando a nós ou ao outro, como raciocinar diante de situações parecidas ou não, levando em conta a maioria dos detalhes, a fim de se agir da forma mais correta possível.
Em suma, nunca se permita perder tempo com o passado. Use-o, seja para você ou para os outros, como forma de esclarecimento e aprendizado a ser aplicado nos seus presentes. E não estranhe eu ter colocado presente no plural; fiz propositadamente, porque não existe um presente; mas uma sucessão extremamente rápida de presentes. Você pode testar isso: diga lentamente a palavra presente... O que aconteceu? Enquanto você falava ela ia mergulhando no passado. Ao terminar, o presente pronunciado não mais fazia parte do seu presente. Como ocorre agora com o que você está lendo. A leitura já esta quase toda no passado. Você poderá reler, é verdade, mas agora numa outra circunstância: a de aprofundar, ou recordar, o que foi antes lido. Não mais terá o sabor da primeira vez. Afinal, toda primeira vez, como qualquer coisa em nossa vida, somente ocorre uma única e irrepetível vez. Assim, aproveite bem o seu agora, para nunca ter de lamentá-lo, nem se punir por ele, com seu remorso. 

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