Djalma Argollo

Djalma Argollo
Terapeuta Junguiano

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O valor da Fantasia


A fantasia é um dos recursos psíquico mais importante de nossa existência. A fantasia vem contribuindo para o progresso da Humanidade desde sempre. A fantasia fez o homem primitivo construir meios e modos de sobrevivência pois, observando o mundo ao seu redor, começou a imaginar o que fazer para resolver seu problema fundamental: a sobrevivência. Olhando um coelho, por exemplo, que se mantinha muito além do alcance do seu braço, começou a fantasiar como poderia aumentar o tamanho dele, para alcançar a presa. Repentinamente, se viu, em imaginação, pegando um pedaço de galho que jazia no chão, e batendo no animal. Ato, continuo, pôs sua fantasia em prática e inventou um instrumento importante de caça: o porrete. Podem dizer que isto é uma fantasia minha, e daí, quem pode afirmar que estou errado?
A fantasia tem servido para incentivar a cultura e informar, desde que o egípcio Sinhuê escreveu o seu romance de viagens. A fantasia produz a arte e descobre sutilezas psicológicas no comportamento humano, que são usadas nos estudos de psicologia. Fantasiando sobre o estar se deslocando na velocidade de um fóton, Einstein começou a desenvolver a teoria da relatividade, que em 2015 completará um século de revolução da física, revolução a qual não cessa de produzir resultados. Todas as experiências de Einstein foram imaginadas, ou seja, eles a viveu como fantasia e, depois, quando ia meios de verificação foram inventados, comprovaram tudo. Por outro lado, a fantasia pode levar ao caos, ao crime, á destruição. Hitler imaginou uma fantasia cruel e perversa que, na prática, proporcionou a catástrofe e o morticínio da Segunda Grande Guerra.
A fantasia deve conduzir a uma transformação positiva e de qualidade do real. Mas, como tudo na vida, deve existir um equilíbrio no fantasiar. Nunca se deve perder o senso de que há uma diferença entre a fantasia e a realidade. Na fantasia, como no sonho, tudo é possível, na realidade existem limites. Fantasie, sonhe, imagine, mas sem tirar os pés do chão. Que sua fantasia faça sua realidade melhor do que foi até hoje, e lhe ajude a integrar elementos do inconsciente ao se consciente e lhe transforme numa pessoa individuada.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Fanatismo


Algo contra o qual devemos nos precaver é o fanatismo. Fanático é uma pessoa que somente enxerga a vida de uma única maneira, e exclui todas as outras. Ele pensa, sente e age dentro de um círculo exclusivo e exclusivista. Tudo o que concorda com sua maneira de ver e sentir é certo, tudo mais não presta. Ele é o dono exclusivo da verdade.
O fanático é inquisidor, intolerante e capaz dos mais baixos e cruéis atos contra quem tem a ousadia de divergir dele. Por isso o fanático tem um viés sociopata e, se a situação social torna-se favorável, ele integra o bando dos verdugos, torturadores, acusadores, delatores e espiões. A História está cheia de exemplos do que os fanáticos podem fazer, e fazem, quando podem.
O fanatismo é uma grave psicopatia. É a unilateralidade absoluta da psiquê, e requer tratamento psiquiátrico, concomitante com o psicológico. O problema é que ele, como muitos doentes mentais, não admite sua doença e recusa tratamento. O fanático vive escondido atrás de um biombo ideológico para se proteger. Ele tem medo de abrir a mente e descobrir que está errado. Esta idéia o deixa em pânico, portanto se agarra ferreamente a seus conceitos, agarrando-se desesperadamente ao círculo fechado dos que pensam e sentem como ele. Somente assim se sente em segurança.
O fanático é como aquela mãe que assistia ao desfile do exército na parada de sete de setembro, olhando orgulhosa o filho que, fardado, desfilava com a tropa. O rapaz está com o passo diferente de todos os demais. Ela, então, virando-se para alguém que está ao lado, diz com satisfação:  "Aquele é meu filho! Observe, é o único que está marchando com o passo certo!". O fanático distorce a realidade, sofisma e mente, procurando transformar o falso em verdadeiro, a qualquer custo.
Para evitar o fanatismo devemos sempre pensar que não existe "verdade absoluta". Toda verdade tem limites. Admitir isso abre-nos a mente para outros conceitos e possibilidades, evitando a estagnação das ideias. Will Durant, no seu "Filosofia da Vida",  escreve o seguinte: "A filosofia começa quando aprendemos a duvidar de nossas crenças , principalmente as que nos são mais queridas". Sendo capazes de entender que toda verdade é relativa, evitamos o fanatismo, por termos a humildade de admitir e existência de outras verdades, tão importantes quanto aquela na qual acreditamos. E, finalmente, nunca discuta com um fanático, é perda de tempo. Tenha compaixão dele, é um doente que se acha o único saudável, no mundo.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Como lidar com crises pessoais


Diante das crises existenciais a queixa é inoportuna e improdutiva. Pensar soluções: essa a atitude sábia. Diante da dificuldade, existem pessoas que paralisam, aterrorizadas pelas exigências que elas apresentam. Essas pessoas devem começar a desenvolver esforços para mudar a visão interna dos acontecimentos. Existem problemas com soluções fáceis, que apenas precisam que o indivíduo tenha a necessária calma e paciência para encontrá-las. Isso acontece na maioria dos casos. Mas o medo e o desespero paralisam, muitas vezes, o que se encontram em situações difíceis. Quantas vezes, em terapia, quando discuto com clientes soluções para suas crises, eles têm verdadeiras epifanias ao descobrirem que estavam se desesperando sem necessidade.
Aprender a buscar soluções requer uma estratégia bem definida. Primeiro, é preciso dimensionar a real extensão do problema, o que significa analisá-lo de forma clara e objetiva, sem fugir de confrontá-lo. Depois, listar o que pode ser feito a curto, médio e longo prazo, para resolve-lo. Finalmente, começar a agir para implementar as soluções imaginadas. E ter paciência para aguarda os resultados. Poderão contra-argumentar meus raciocínios, assim: "Dito dessa maneira fica fácil, mas na prática é que eu quero ver". Em momento algum afirmei que isso é fácil, mas que é possível. Mas para que essa forma de agir se torne uma conquista, requer decisão e perseverança.
Comece se imaginando sendo assim. Fantasie, como costuma fazer com outras situações existenciais. E, paralelamente. Decida fazer o que está imaginando. No começo enfrentará a dificuldade do não habitual, mas a perseverança produzirá frutos. Mas, veja bem, o exercício mental deve anteceder à crise. Se ela já estiver instalada será necessário tomar consciência dela e agir para resolver, como disse acima.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Passado? Ora, o passado já passou!


O passado não é uma entidade física; em outras palavras, ele não é uma entidade real. O passado existe apenas como consequência. Senão, vejamos: se eu deixei de cumprir uma tarefa importante, hoje, amanhã ao ser cobrado por ela, terei de confessar que não a fiz, e arcar com as consequências do não ter realizado a minha obrigação. Mas o passado em si, isto é, o momento em que eu devia ter feito a tarefa nem existe nem nunca voltará a existir. Caso eu consiga uma nova oportunidade, ou seja obrigado a realizar o que não fiz, será um novo momento, uma nova situação, uma nova realidade. O momento em que a tarefa deveria ter sido feita, perdeu-se para sempre, e nunca retornará fisicamente, apenas poderá ser evocado como lembrança. Caso tenha sido registrado em vídeo, o momento, poderá ser repetido, como na evocação da memória, vezes sem conta, mas sem qualquer resultado prático que não o da lamentação da oportunidade esperdiçada. E lamentar a oportunidade perdida adiantará alguma coisa? Claro que não! Duas coisas situações como a que aventei requerem: a) que se arque com as consequências da irresponsabilidade, pagando o preço requerido pela falta e, b) tomar-se uma atitude: nunca mais deixar de fazer aquilo pelo que se responsabilizou ou que se é responsável.
O que se fez ou se deixou de fazer não tem retorno. Ninguém pode apagar o passado. Ele está fora do alcance, para sempre. Somente se pode fazer, ou não fazer, em oportunidade semelhante, o que foi ou não, realizado. Mas nunca será a mesma coisa. Pode até parecer que é, mas realmente é uma nova atitude, uma nova realização. Naturalmente ela estará pautada pela experiência que se adquiriu com a ação, ou não ação, realizada.
Em nossa vida, devemos ter o passado como repositório de lições aprendidas, de experiências adquiridas, para usar quando a vida nos colocar em situações assemelhadas. Mas sempre lembrando que todo e qualquer conhecimento, como toda e qualquer experiência, devem ser aplicados de forma atualizada, qual seja, adequado ao momento presente, pois no passado o que se fez ou não fez acorreu dentro de uma realidade específica, com suas peculiaridades do momento. No presente, existe uma nova configuração de circunstâncias que deve ser levada em conta.
Mas, um ponto é essencial: nunca se deve lamenta o passado. Isto é perder tempo. Nem deve-se usá-lo como um fator de arrependimento, ou de manutenção de um estado psíquico de culpa. Nada se ganha com isso, ao contrário, se perde tempo e possibilidade de realizar, ou não, no agora que passa célere.
Busquemos retirar de nossos raciocínios e discursos, expressões como: “Eu (ou você) não deveria ter feito isso!”; ora, se uma coisa foi feita, como não deveria tê-lo sido? A reclamação não tem o menor sentido, a não ser o de impor culpa ou humilhar, mas nada. Nem pedagogicamente é positiva. Dever-se-ia, sim, pontuar o que foi realizado, ou não, de uma maneira propositiva: “De agora em diante não faça da mesma forma, mas dessa outra”! Aqui existem uma forma educativa e transformadora. O passado servindo para melhorar o presente ou o futuro, em circunstâncias parecidas.
Pode-se inquirir por quê alguém, ou nós próprios, fizemos ou não algo, objetivando a conscientização dos motivos da ação ou não ação, realizada. E, dessa forma, orientar melhor, ensinando a nós ou ao outro, como raciocinar diante de situações parecidas ou não, levando em conta a maioria dos detalhes, a fim de se agir da forma mais correta possível.
Em suma, nunca se permita perder tempo com o passado. Use-o, seja para você ou para os outros, como forma de esclarecimento e aprendizado a ser aplicado nos seus presentes. E não estranhe eu ter colocado presente no plural; fiz propositadamente, porque não existe um presente; mas uma sucessão extremamente rápida de presentes. Você pode testar isso: diga lentamente a palavra presente... O que aconteceu? Enquanto você falava ela ia mergulhando no passado. Ao terminar, o presente pronunciado não mais fazia parte do seu presente. Como ocorre agora com o que você está lendo. A leitura já esta quase toda no passado. Você poderá reler, é verdade, mas agora numa outra circunstância: a de aprofundar, ou recordar, o que foi antes lido. Não mais terá o sabor da primeira vez. Afinal, toda primeira vez, como qualquer coisa em nossa vida, somente ocorre uma única e irrepetível vez. Assim, aproveite bem o seu agora, para nunca ter de lamentá-lo, nem se punir por ele, com seu remorso. 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

ANIMA - Terapia e Estudos (ANIMA-TE): novos rumos

A partir de agora, o blog FOCALIZANDO A ALMA, será dedicado exclusivamente aos assuntos terapêuticos, realizados pela ANIMA - TERAPIA E ESTUDOS (ANIMA-TE). Nele estaremos divulgando informações sobre nossos cursos, vivências, palestras e demais atividades ligadas à nossa missão intitucional.

Ao mesmo tempo publicaremos sugestões e resenhas de livros e artigos, tanto de Djalma Argollo, como de autores ligados à Psicologia Junguina.

Este ano a ANIMA-TE já introduziu melhorias no seu site: www.animaterapiaeestudos.com, verifique.

Em termos de trabalho terapêutico, estamos oferecendo oportunidade de terapia à distância, para pessoas que moram distante da Cidade de Salvador, BA, seja no interior, em outros Estados da Federação ou no exterior, usando os recursos da internet. 

Querendo informações sobre marcação de consultas, inscrição no grupo de terapia e vivência e cursos   ligue para (71)3017-9235 / (71)8113-3911 ou nos contate pelo e-mail: anima@animaterapiaeestudos.com.

"...existe no homem algo que seja mais forte do que ele mesmo?  Não devemos esquecer que toda neurose é acompanhada por um sentimento de desmoralização. O homem perde confiança em si mesmo na proporção de sua neurose. Uma neurose constitui uma derrota humilhante e desse modo é sentido por todos aqueles que não são de todo inconscientes de sua própria psicologia. O indivíduo sente-se derrotado por algo 'irreal'" (JUNG, O. C., 1978, vol. XI/1, par. 12).



Reflexões

Existem, grosso modo, duas espécies de insônia: a que é causada por preocupações obsidentes, e a que é espontânea. Neste último caso não há o que angustiar. Em vez de entrar em estresse porque o sono não vem, aproveite o momento para pensar coisas que lhe alegrem a alma: sonhe acordado, criando fantasias de sucesso, de desenvolvimento pessoal, de aprimoramento moral, espiritual e intelectual, e assim sucessivamente. Já no primeiro caso, existe um esforço a ser feito: o de verificar consigo mesmo se o que lhe preocupa tem solução; se tem, deixe de se preocupar; se não tem, deixe o problema de lado, passando a se imaginar nunca mais criando, ou deixando criar, situação semelhante em sua vida; não perca tempo com o arrependimento, se perguntando por quê fez, não fez ou que não deveria ter feito o que motivou sua tribulação atual; isto é pura perda de tempo. Não se muda o passado, mas se pode construir um futuro melhor, a partir das escolhas feitas agora. Ninguém vive no ontem, nem no amanhã, mas no agora. O passado é importante como lição, mas nunca como preocupação. O futuro se constrói no agora. Ele será o resultado das escolhas que se faz, diante do que se está vivendo. Assim, transforme sua insônia num momento de "imaginação ativa". Sonhe acordado, um sonho bom. E nele viva a fantasia de tudo de bom para você, de hoje em diante.

XXXXX

Você está sofrendo, e chora a sua dor! Está certo, deixe que as lágrimas escorram e os soluços explodam no seu peito. Você merece esse momento de catarse emocional. Todavia, quando a tempestade das emoções amainar, não se deixe prender nas teias da vitimização. Sentir-se vítima é um vício que paralisa a alma e destrói toda possibilidade de superação do estado de sofrimento.  Todo e qualquer sofrimento, além do seu "por quê?", tem um "para que?". Ou seja, toda dor implica na necessidade de se aprender algo. É uma lição dura que a vida impõe. E não adianta se ficar na monoideia do: "Por que comigo?". Está pergunta comportaria uma resposta do tipo: "Já aconteceu com outros, por quê não aconteceria com você?". E isso nada resolveria. Diante da dor se deve ter um questionamento proativo: "O que tenho de aprender com isso?". 
É claro que não estou sugerindo uma consolação, pois os sofrimentos são inconsoláveis. Estou indicando um modo pragmático de se enfrentar o sofrimento. Uma forma de se usá-lo para desenvolvimento pessoal. 
Toda dor é convite à mudança. Pois a dor é um mero sintoma, não o mal em si. A dor não resgata, não expunge o erro nem serve de expiação do que se cometeu indevidamente. A dor sinaliza que algo em nossa vida precisa mudar. Apenas isso. Agora, tenha cuidado com o sofrimento, pois ele pode ser patologicamente viciante. Ele atrai a atenção e o cuidado de outros, para nós: a piedade espontânea com as vítimas. E aí podemos nos tornar manipuladores cínicos e desonestos. Isto quando não os tornamos vítimas de nossa vingança contra a vida, destruindo-lhes a possibilidade de uma existência alegre e feliz.