Djalma Argollo

Djalma Argollo
Terapeuta Junguiano

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Transferência de cultura

...muitos europeus hoje em dia têm a tendência de transferir inadvertidamente ideias e métodos orientais para a mentalidade ocidental. Isto, segundo minha opinião, não é vantagem para nós nem para estas ideias. Pois o que nasceu do espírito oriental baseia-se na história específica daquela mentalidade que é substancialmente diferente da nossa. Esses povos tiveram um desenvolvimento ininterrupto desde o estado primitivo da polidemonia natural até o politeísmo em sua forma mais esplendorosa, e daí para a religião das ideias na qual foi possível desenvolver-se a práxis originalmente mágica de um método de auto-aperfeiçoamento. Estes pressupostos não são válidos para nós. Quando a raça alemã encontrou-se com o cristianismo romano estava ainda no estado terminal da polidemonia e com inícios do politeísmo. Mas ainda não havia um verdadeiro sacerdócio e um culto organizado. Como os carvalhos de Wotan, foram derrubados os deuses, e sobre os tocos foi instalado o cristianismo incongruente, surgido de um monoteísmo de um plano cultural bem mais elevado. O povo germânico sofre dessa atrofia. Tenho boas razões para supor que todo passo para além do presente tem de começar lá embaixo, junto aos demônios cortados da natureza. Isto significa que há necessidade de recuperar todo um trecho do primitivismo. Parece-me pois ser grave erro plantar sobre o nosso estado já atrofiado mais um arbusto estranho. Com isso o prejuízo original torna-se pior. Esta ânsia pelo estranho e pelo distante é doentia. Também é impossível avançar em nosso estado cultural hodierno se não recebermos um subsídio de força de nossas raízes primitivas. Mas só receberemos este subsídio se voltarmos de certa forma para trás de nosso estágio atual de cultura e dermos uma oportunidade para que o primitivo reprimido se desenvolva. Como isto deve acontecer é uma incógnita cuja solução procuro há anos (JUNG, Cartas, vol. I, A Oskar A. H. Schmittz, 26/05/1921, p. 55).

Um comentário:

  1. Amigo Djalma:
    Tenho lido alguma coisa, pouca, do que escreve e reparo no conhecimento que tem procurado acumular e que já acumulou...
    Por vezes não consigo ler mais porque me incomoda essa sua ânsia compulsiva em acumular...
    Assim se deixar de lado as ideias dos outros, as doutrinas e filosofias dos outros, e as ideias que os outros tem dos outros, ficará com uma mente muito mais aliviada e assim já poderá ver a mosca que poisou na lente dos seus óculos e também constatar que o ser humano é igual em todo o lado, todas as divisões feitas no mundo ao longo dos séculos é produto do homem com base nessas ideias, teorias e filosofias que o meu amigo faz tanta questão de colecionar e armazenar na sua maravilhosa mente.

    Cumprimentos de um amigo.

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