Djalma Argollo

Djalma Argollo
Terapeuta Junguiano

sábado, 22 de outubro de 2011

O arquétipo da criança

A criança é o futuro em potencial. Por isto a ocorrência do motivo da criança na psicologia do indivíduo significa em regra geral uma antecipação de desenvolvimentos futuros, mesmo que pareça tratar-se à primeira vista de uma configuração retrospectiva. A vida é um fluxo, um fluir para o futuro e não um dique que estanca e faz refluir. Não admira portanto que tantas vezes os salvadores míticos são crianças divinas. Isto corresponde exatamente às experiências da psicologia do indivíduo, as quais mostram que a "criança" prepara uma futura transformação da personalidade (JUNG, O. C. vol IX/1, par. 278)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Transferência de cultura

...muitos europeus hoje em dia têm a tendência de transferir inadvertidamente ideias e métodos orientais para a mentalidade ocidental. Isto, segundo minha opinião, não é vantagem para nós nem para estas ideias. Pois o que nasceu do espírito oriental baseia-se na história específica daquela mentalidade que é substancialmente diferente da nossa. Esses povos tiveram um desenvolvimento ininterrupto desde o estado primitivo da polidemonia natural até o politeísmo em sua forma mais esplendorosa, e daí para a religião das ideias na qual foi possível desenvolver-se a práxis originalmente mágica de um método de auto-aperfeiçoamento. Estes pressupostos não são válidos para nós. Quando a raça alemã encontrou-se com o cristianismo romano estava ainda no estado terminal da polidemonia e com inícios do politeísmo. Mas ainda não havia um verdadeiro sacerdócio e um culto organizado. Como os carvalhos de Wotan, foram derrubados os deuses, e sobre os tocos foi instalado o cristianismo incongruente, surgido de um monoteísmo de um plano cultural bem mais elevado. O povo germânico sofre dessa atrofia. Tenho boas razões para supor que todo passo para além do presente tem de começar lá embaixo, junto aos demônios cortados da natureza. Isto significa que há necessidade de recuperar todo um trecho do primitivismo. Parece-me pois ser grave erro plantar sobre o nosso estado já atrofiado mais um arbusto estranho. Com isso o prejuízo original torna-se pior. Esta ânsia pelo estranho e pelo distante é doentia. Também é impossível avançar em nosso estado cultural hodierno se não recebermos um subsídio de força de nossas raízes primitivas. Mas só receberemos este subsídio se voltarmos de certa forma para trás de nosso estágio atual de cultura e dermos uma oportunidade para que o primitivo reprimido se desenvolva. Como isto deve acontecer é uma incógnita cuja solução procuro há anos (JUNG, Cartas, vol. I, A Oskar A. H. Schmittz, 26/05/1921, p. 55).

Autonomia