Djalma Argollo

Djalma Argollo
Terapeuta Junguiano

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Mitologização de Jesus

Um primeiro sinal de mitologização está no nascimento virginal. Ou seja, Jesus foi colocado na condição de filho de Deus, no mesmo sentido em que era utilizado pelos politeístas para diversos dos seus heróis, como Hérakles, por exemplo, que era filho de uma relação sexual entre Zeus e Alcmena. O que lhe conferiu uma força sobre humana, capacitando-o a realizar tarefas extraordinárias, como separar o estreito de Gibraltar, que era conhecido na Antiguidade Clássica como Colunas de Hércules, nome latino de Hérakles. Outro foi Asclépios, em latim Æsculapio, filho do deus Apolo e Coronis, , filha de Phlégias, rei dos Lépidas, cuja capacidade curadora, aprendida com o centauro Quiron, era digna do filho de um deus, pois chegou a ressuscitar os ortos, o que lhe valeu ser fulminado por Zeus, por causa da queixa de Hades, o deus dos mortos, o qual estava sendo prejudicado pela diminuição do aporte de almas ao seu reino. E assim sucessivamente.
Os quatro Evangelhos são uma prova de que o mito Jesus teve uma estruturação durante sua encarnação, e foi se ampliando após sua desencarnação. Suas matrializações diante de inúmeras pessoas, como por exemplo os quinhentos da Galiléia, fortaleceram o conceito de ressurreição corporal. Paulo de Tarso, por natural ignorância do fenômeno, fez das corporificações ectoplamáticas do Mestre a base de sua teoria da ressurreição no Juízo final, exposta na sua primeira epístola aos Tessalonicenses.
Tudo isso foi uma pena, pois Jesus, na minha opinião, é o maior ser humano que já existiu. Um espírito de alta hierarquia evolutiva que encarnou, viveu nossos problemas cotidianos e sofreu com nossas misérias morais. Deixou-nos um exemplo extraordinário, a ponto de Friedrich Nietzsche dizer: ...Cristo morreu para indicar como se deve viver: A prática da vida é o que ele deixou em herança aos homens: sua atitude diante dos juízes, dos sicários, dos acusadores e de toda espécie de zombaria e calúnia, a sua atitude sobre a cruz... E de fato, Jesus é definido pela pergunta e a resposta, em O Livro dos Espíritos:

Qual é o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e de modelo?
“Vede Jesus.”

Jesus é para o homem o tipo da perfeição moral à qual pode pretender a humanidade sobre a Terra. Deus no-lo ofereceu como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão da sua lei, porque ele estava animado do espírito divino, e é o ser mais puro que existiu sobre a Terra (questão 625 e início do comentário de Kardec).

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